Choro da patronal continua, com argumentos infundados, mas é preciso resistir

As entidades patronais da saúde estão firmes no “choro” e promovendo uma forte campanha para tentar provar a qualquer preço que não podem arcar com o piso salarial da enfermagem. Depois de serem derrotadas no Senado e na Câmara – com a aprovação do PL 2564 – resultado da mobilização da categoria e da apresentação de estudos consistentes comprovando que há recursos nos setores público e privado para pagar o piso, as entidades patronais que reúnem os grandes hospitais e serviços de saúde agora tentam forçar uma “realidade paralela” dos números.

Semeando inverdades, essas entidades buscam confundir a opinião pública brasileira e os próprios profissionais da enfermagem, enquanto seguem gastando fortunas em obras e pagando altos salários de gestão a seus executivos – frentes que não estão diretamente ligadas ao atendimento da saúde da população. Afirmam também que leitos terão de ser fechados e demissões precisarão ocorrer, apresentando resultados de uma “suposta pesquisa” realizada em agosto deste ano.

De acordo com essa “suposta pesquisa”, será preciso reduzir equipes e investimentos, em função do impacto do piso salarial da enfermagem na folha. Mencionam também a necessidade de fechar cerca de 20 mil leitos em todo país.

As entidades patronais esquecem, porém, de analisar que o fechamento de leitos inviabilizará ainda mais o faturamento das instituições, constituindo uma medida suicida. Também não mencionam a obrigatoriedade do dimensionamento da enfermagem, orientação legal que precisa ser seguida, sob a pena de multas para as instituições.  E mais: esquecem que não pagando o piso conforme prevê a Lei (que está em vigor mesmo com todo choro) estarão gerando um passivo trabalhista enorme para suas gestões.

Constroem uma narrativa que subestima a inteligência das pessoas, principalmente aqueles que sabem na prática a importância da enfermagem. E o porta-voz desse alarmista discurso é o ex-governador do RS Antônio Britto, atual diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Será que o piso salarial da enfermagem não está sendo usado como desculpa para esconder problemas maiores de gestão dos hospitais? É muito cômodo fazer a enfermagem pagar a conta, mantendo salários milionários a superintendentes e gestores e obras superfaturadas com mármore pelos corredores das instituições.

Não é isso que a população necessita. Os brasileiros precisam saúde de qualidade e isso passa necessariamente por cuidado especializado e humanizado, feito pela enfermagem e pelas equipes multidisciplinares de saúde.

Já passou da hora de valorizar não somente a enfermagem mas todos os profissionais da saúde, que mostraram sua garra durante a pandemia e sempre estiveram na linha de frente da saúde da população.

O momento é de resistir. Fomos vitoriosos(as) até agora, não podemos esmorecer. A luta será árdua, mas temos a população ao nosso lado.

Precisamos fortalecer os sindicatos, pois eles são nosso instrumento de lutas. O SERGS – primeiro sindicato de enfermeiros do Brasil – criado em plena Ditadura Militar – não irá esmorecer nessa hora e tomará todas as medidas cabíveis para proteger sua base no Rio Grande do Sul, somando aos sindicatos e entidades dos demais estados da federação para garantir o pagamento do Piso Salarial.

Venha com a gente nessa luta, mobilize seus colegas, denuncie qualquer irregularidade. Estamos do lado certo da história e na defesa da saúde de qualidade para todos(as), com valorização dos profissionais.

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