Setembro Verde conscientiza para a importância da doação de órgãos

Começa hoje o SETEMBRO VERDE, mês de conscientização sobre a importância da doação de órgãos no Brasil. O mês passou a ter essa marca a partir da Lei 15.463/2014, que também instituiu o dia 27 de setembro como o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

Segundo a diretora do SERGS, a enfermeira Andrea Gomes, que atua na Coordenadoria Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do GHC, é importante esclarecer como funciona o processo dos transplantes no Brasil, que acontece em um cadastro nacional único, por ordem cronológica e obedecendo a critérios de compatibilidade do órgão e gravidade do caso. Andrea trabalha na ponta do processo de doação, realizando a coordenação intra-hospitalar do diagnóstico de morte encefálica e realizando a entrevista familiar, onde é oferecido a família do falecido a possibilidade de doação de órgãos.

Andrea explica que todo o processo é regido por uma legislação consolidada, que garante a segurança jurídica e também por diretrizes médicas baseadas nas melhores evidências em saúde para garantir que o órgão ou tecido doado esteja em condições de ser transplantado.

Esse é um ponto importante e que precisa ser esclarecido, principalmente em função das Fake News que circularam por conta do transplante de coração do apresentador Fausto Silva, que ocorreu recentemente. Faustão não furou a fila de transplantes: antes de receber o órgão, uma série de critérios foram avaliados, dentro da lógica da lista única, sob responsabilidade do Sistema Nacional de Transplantes (veja abaixo como funciona o processo).

Pela atual legislação brasileira, somente a família pode autorizar a doação. Portanto avisar nossa família que somos doadores é fundamental para termos uma cultura doadora e facilitar também a decisão da família em um momento tão caótico e sofrido quanto na hora que recebemos a notícia de que nosso familiar morreu. Andrea ressalta a importância da sociedade nessa potente política pública de saúde, pois são os cidadãos que definem se haverá órgãos para serem transplantados e assim salvar as vidas das pessoas que estão na lista de espera aguardando um transplante.

 

Veja como funciona o passo a passo para um órgão ser transplantado

Fonte: Secretaria Estadual da Saúde

 

  1. O paciente que necessita do transplante, chamado de receptor é encaminhado a realização de exames a pedido de sua equipe transplantadora – definida, a princípio por sua região de domicilio, para determinar as necessidades de tratamento e transplante;
  2. Os seus dados como Potencial Receptor de órgãos ou tecidos são organizados em um programa informatizado, sob responsabilidade do Sistema Nacional de Transplantes, gerenciado pela Central de Transplantes do Estado;
  3. O sistema informatizado registra e disponibiliza os doadores de órgãos e os resultados dos exames do receptor. Os resultados processados ficam à disposição deste sistema para a classificação de receptores em lista única;
  4. O sistema informatizado faz o cruzamento entre os dados de doador e receptor e apresenta as opções mais compatíveis – assim será gerada uma lista única de receptores para cada doador disponibilizado;
  5. Os laboratórios autorizados realizam exames que comprovam a compatibilidade para que o receptor tenha segurança de receber o órgão doado;
  6. Os receptores elencados em cada lista serão submetidos à avaliação de suas equipes, para identificar condições de receber o órgão e qual o mais apto/compatível com o doador disponível;
  7. A equipe transplantadora que acompanha a situação clínica do receptor aceita o órgão ou não;
  8. O órgão é enviado pela Central de Transplantes ao hospital onde está o receptor para que seja implantado;
  9. O receptor também pode desistir de receber o órgão doado, que então passará ao próximo receptor compatível da lista única.
  10. A família do doador, através da Central de Transplantes do RS, recebe informações sobre o sexo e a idade dos receptores, bem como uma carta de agradecimento pelo gesto de solidariedade manifestado pela doação de órgãos e tecidos.

No RS, em 2023, a doação de órgãos aumentou 36%, em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a julho de 2023, a Central Estadual de Transplantes registrou que 441 órgãos foram captados, de 164 doadores efetivos (cada doador pode doar mais de um órgão) para transplantes.  Esse número poderia ser maior, se possíveis doações não fossem negadas pelas famílias de potenciais doadores que apresentam morte encefálica, condição essencial para doação. O Estado tem hoje mais de 2.700 pessoas aguardando o transplante de algum órgão.

 

 

 

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