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O combate que não precisamos lutar

 

A violência pode estar em diferentes lugares. Nas ruas, com o aumento da criminalidade. Nos domicílios, com o aumento dos casos de violência doméstica, atingindo principalmente mulheres e crianças.

A violência também está nos hospitais e serviços de saúde. E novos casos de violência passaram a fazer parte deste cenário nos últimos tempos para além da violência institucionalizada que normalmente ocorre, representada por tiroteios nas proximidades destes estabelecimentos e até homicídios de pacientes e trabalhadores, sem uma garantia efetiva de maior policiamento por parte do poder público.

Nesta semana, lamentavelmente, uma nova forma de violência na saúde passou a ser incitada por quem deveria fazer a gestão do país e promover a paz. Incitar a população para fiscalizar diretamente a situação dos hospitais do país com a pandemia de Covid-19 é um ato irresponsável, que desrespeita os profissionais que atuam neste segmento, os pacientes internados e seus familiares. Pelo contrário, incita o ódio contra profissionais que estão de mãos limpas, trabalhando no limite da exaustão para salvar vidas, pessoas que lutam pela sobrevivência e famílias que secam suas lágrimas.

Em vários lugares, alguns soldados deste insano exército já começaram a seguir as instruções recebidas. Na sexta, dia 12, um grupo de pelo menos seis pessoas entrou no Hospital Municipal Ronaldo Gazzolla, no Rio de Janeiro, e invadiu alas restritas a médicos e pacientes. Uma mulher, pertencente ao grupo, muito alterada, teria chutado portas, derrubado computadores e até tentado invadir leitos de pacientes internados.

Não é isso que queremos para a saúde do nosso país. Precisamos parar com o negacionismo à ciência e seguir as recomendações sanitárias e científicas internacionais. Urge que a saúde seja pacificada. Não é hora de dividir a população, mas de unir esforços na prevenção e no combate a essa pandemia.

Os enfermeiros e enfermeiras estão na linha de frente, juntamente com médicos, técnicos de enfermagem e outros profissionais que compõem as equipes multidisciplinares de saúde. Colocamos nossa própria vida em risco para salvar outras vidas. Esse é o bom combate que vamos lutar até o fim.

 

Cláudia Franco, presidenta do SERGS

 

 

 

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