Enfermeira e gestora Fábia Richter fala ao SERGS sobre PL 2564

O SERGS tem divulgado para a categoria sobre o andamento do PL2564/2020, desde o princípio, quando o projeto foi elaborado pelo Senador Fabiano Contarato, discutido com as entidades, levado à relatoria da Senadora Zenaide Maia e depois passou por emendas que acabaram modificando o texto original. O sindicato também tem alertado sobre a necessidade de atrelar o piso salarial à carga horária de 30h, para evitar precarização nas relações de trabalho.

Neste momento em que o projeto já foi aprovado no Senado e aguarda tramitação na Câmara Federal, o SERGS traz a visão da enfermeira e gestora Fábia Richter, ex-prefeita do município de Cristal, que tem sido uma das grandes defensoras e articuladoras no Estado das discussões sobre o Piso Salarial e das 30h.

 

SERGS- Em que momento estamos do PL 2564/2020?

Fábia – Pela minha avaliação, vamos conseguir ter a votação do Piso Salarial da Enfermagem esse ano ainda. O cenário até esse momento está favorável, o presidente do Congresso, não assumirá o risco de não colocar em votação e uma vez no plenário será votado, já que os deputados reconhecem a força e potencial de votos da enfermagem e têm receio de ter esses trabalhadores contra eles nas eleições de 2022.

 

SERGS – Qual deve ser a posição dos Deputados Federais gaúchos? E das prefeituras?

Fábia – Como Prefeita que já fui, gestora da saúde e especialista em gestão hospitalar, posso afirmar que não será fácil que nossos colegas em todo país recebam o Piso Salarial, assim como já acontece com os professores. Entretanto, eu paguei o piso dos professores no segundo mês que assumi meu primeiro mandato. Trata-se de justiça e de se ter ações iguais aos discursos que elegem os políticos. Faltam recursos sim, vai ser difícil, orçamentos terão que ser ajustados. Mas se acham que a Enfermagem é importante alguns que ganham muito terão de ganhar menos. Os deputados federais irão votar. Mesmo que sejam pressionados pelos prefeitos e gestores de instituições, o clima é favorável. Quanto à Bancada Gaúcha, nem todos ainda abriram sua posição. Não acredito que votem contra, já sugeri às entidades da Enfermagem, incluindo o SERGS, uma reunião para que eles escutem a categoria.

 

SERGS – Como você avalia a audiência pública realizada essa semana na Câmara dos Deputados?

Entendo que a deputada Carmen Zanotto está querendo discutir o financiamento do pagamento do piso, mas não dá para dá mais para debater este tema em todas as comissões. Dificuldades irão existir na implementação, mas essa discussão deveria ter sido feita há anos. O piso deve ser votado no plenário e aprovado já.

 

SERGS – Que papel tem a enfermagem nesse momento?

Fábia- A Enfermagem deve despertar! Despertar para a consciência política, da construção, do diálogo efetivo nesse meio. Em um país democrático somente tem força quem tem voto. Quantos votos a enfermagem tem ou pode conquistar? Nós não temos ideia, mas os parlamentares já se deram conta de todo nosso potencial.  Se a enfermagem de fato entender que temos que assumir posições de decisão na política, nós vamos contribuir não somente para a nossa profissão, mas para toda sociedade brasileira. Porque a pauta da enfermagem não é somente do piso ou da jornada de trabalho, é pela vida, pela família, pelas pessoas, pelo SUS, pela saúde não somente olhando para tratar a doença, mas para prevenir e promover a saúde.

 

 

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