“Não podemos nos calar. Tapas e socos são as palmas que recebemos no dia a dia” relata enfermeira que registrou Boletim de Ocorrência na capital

Mais um caso lamentável de violência contra profissionais da enfermagem aconteceu na última semana em Porto Alegre. A enfermeira Daniela da Motta Esteves, que atua na UPA Moacyr Scliar, na zona norte da capital, foi agredida por um filho de uma paciente que passava pela sala de triagem da Covid. A agressão teria sido motivada pelo fato de a paciente estar estável e não necessitar atendimento imediato.

Daniela contou ao SERGS como tudo aconteceu. “Deu para perceber desde o princípio que o acompanhante estava irritado, mas não imaginava que ele iria partir para a agressão física, pois verbal já faz parte de nosso cotidiano”, comenta a enfermeira, que registrou ocorrência na 3ª DPPA de Porto Alegre, por “desacato a um funcionário público no âmbito de suas funções e lesões corporais’. O familiar agrediu verbalmente e deu um empurrão na enfermeira.

Nessa entrevista, Daniela faz um desabafo e passa uma mensagem importante para a categoria se unir neste momento:

SERGS – Você e suas colegas têm sido agredidas muitas vezes?

Daniela -Infelizmente, a agressão já faz parte do nosso cotidiano. Trabalhamos com medo de sermos agredidas a qualquer momento. Várias colegas já passaram por isso, porém muitas se calam, por temerem retaliações e por medo de serem perseguidos pelos próprios agressores. São as palmas que recebemos no dia a dia, tapas e socos no rosto.

SERGS – Quais são os tipos mais comuns de agressões?

Daniela – As agressões mais comuns são as verbais, seguidas por ameaças. Alguns também quebram equipamentos, vidros, portas, computadores.

SERGS – Na sua opinião, o que a direção das instituições, os órgãos sanitários e as entidades da enfermagem podem fazer para evitar e inibir essas situações?

Daniela – É preciso garantir segurança ao profissional da saúde. Sem segurança, fica impossível exercermos nossas atividades. Em um segundo momento, investir em educação, através de todos os meios, mídia, escolas, salas de espera, orientando e ensinando a população que é importante respeitar o trabalho do profissional de enfermagem, fundamental para a sociedade. Ainda bem que temos entidades como o SERGS, para nos defender.

SERGS – Deixe sua mensagem para todas(os) as(os) colegas enfermeiras(os), que estão na linha de frente, sob pressão, neste momento difícil da pandemia.

Daniela – O recado que deixo é que não devemos nos calar. Temos que divulgar o que estamos passando, principalmente neste período de pandemia. Também ressalto que essas agressões são muito mais comuns com as mulheres, pois vivemos num país machista em que a mulher possui um papel secundário e submisso. A Enfermagem tem que mostrar sua força e lutar um trabalho digno.

 

“É preciso garantir segurança ao profissional da saúde. Sem segurança, fica impossível exercermos nossas atividades”

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