SERGS levanta discussão sobre sequelas da Covid

 

A imprensa divulga e muitas pessoas comemoram o índice de pacientes de Covid-19 que se recuperam. O índice de 76% de um total de 3.582.698 casos no país, em um cenário de mais de 114 mil óbitos, é um fato que merece destaque. No Rio Grande do Sul, dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam 90% de recuperação dos casos registrados.

Porém é importante lembrar que estes dados levam em consideração somente os casos notificados, excluindo um grande contingente da população que não foi testado. Além disso, de acordo com vários estudos epidemiológicos, é prematuro falar em pessoas “curadas”, pois não há critérios claros para definir o que seria uma recuperação total da Covid-19.

Os indicadores dos serviços de saúde e o relato de muitos profissionais na linha de frente alertam para a incidência de casos de pessoas “supostamente curadas” e que passam a ter sequelas por conta do vírus. Isso porque a Covid-19 pode atacar outros órgãos além do pulmão, tais como cérebro, fígado, coração, rins, intestino, sistema vascular, entre outros. A fibrose pulmonar também pode ser uma das sequelas deixadas pelo Coronavírus, bem como a síndrome pós-UTI e todas suas formas de manifestação.

O enfermeiro e vice-presidente do SERGS, Ismael da Rosa, teve a Covid-19 e, segundo os protocolos dos municípios onde trabalha – Sapucaia do Sul e Esteio – estaria apto para retornar às atividades profissionais. No entanto, ele afirma estar com a capacidade pulmonar longe do ideal, ocasionando cansaço, falta de ar a esforços e fraqueza. “Tenho receio de iniciar certas atividades sem saber se concluirei a tarefa.  Retornar longe das condições ideais, com limitações para tarefas simples do cotidiano é um desafio pós-Covid”, revela Ismael.

Segundo o vice-presidente do SERGS, é complexo enquadrar os “sequelados”, nos recuperados, e ainda não há como medir quantas pessoas desenvolverão sequelas. Esse é um outro lado da Covid-19 que precisa ser discutido pela sociedade e pelas entidades ligadas à saúde.

A ciência ainda não sabe se essas sequelas serão temporárias ou definitivas, mas muitas poderão gerar incapacidade para o trabalho em decorrência da Covid-19 e, portanto, precisarão ser questionadas junto à gestão das instituições e, possivelmente, na via judicial.

“Nosso Jurídico estará ainda mais atento ao relato dos profissionais daqui para frente e precisaremos nos unir ainda mais nesta luta. Se já é difícil garantir a testagem e preencher a CAT nos casos de Covid-19, será ainda mais complexo enquadrar possíveis sequelas”, complementa a secretária geral do SERGS, Denize Cruz. A recomendação é acompanhar ao máximo os casos recuperados e buscar apoio do SERGS sempre que necessário.

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