Profissionais da saúde precisam ser prioridade na testagem

 

Os profissionais da saúde na linha de frente do enfrentamento da pandemia precisam ser incluídos na primeira fase de testagem no RS e na capital gaúcha. Essa é a defesa do SERGS e de outras entidades de profissionais da saúde.

Infelizmente, mais uma vez, os profissionais da saúde não são prioridade. O Testar RS, projeto que promete ampliar a testagem da população para a Covid-19, não inclui na sua primeira fase as equipes que atuam na saúde.

“Entendemos a importância de testar outros públicos vulneráveis, mas os profissionais são cruciais no combate à pandemia”, afirma a presidente do SERGS, Cláudia Franco. Segundo ela, principalmente a enfermagem, pode estar atuando como vetor do vírus, sem saber, contaminando pacientes e seus familiares, além de outras pessoas próximas.

“O governo precisa entender que não adianta ter respiradores se não tiver profissionais capacitados para utilizá-los. O número de profissionais afastados e os óbitos por Covid cresce muito e a testagem seria um meio de frear este processo, afastando os casos confirmados”, alerta Cláudia.

Em Porto Alegre, há tendas nas unidades básicas de saúde, mas a prioridade são os pacientes que tiveram casos confirmados na família e estão assintomáticos, ou seja, na cidade que é o epicentro da doença no RS, os profissionais também não são prioridade.

Conforme relato de um enfermeiro da capital ao SERGS, a testagem tem sido feita nos postos, em profissionais que tiveram contato com casos confirmados. Mesmo assim, ele desabafa que a equipe se sente insegura e desassistida e que enfermeiros e técnicos deveriam ser testados semanalmente, devido à forte exposição.

O SERGS, em conjunto com as demais entidades e a CUT-RS, está mobilizando todos os esforços para garantir a saúde dos trabalhadores. A pressão sobre os parlamentares e a ação jurídica têm sido as principais formas de luta neste momento.

Vale lembrar que há exatamente um mês o Conselho Federal de Enfermagem foi vitorioso na ação civil pública que garante o direito da testagem dos trabalhadores da saúde, mesmo assintomáticos. O desafio tem sido garantir que os testes adquiridos tenham os trabalhadores da linha de frente como uma das prioridades. No Rio Grande do Sul, conforme dados do Cofen (23/07/20), são 1876 profissionais de enfermagem contaminados até o momento, mas este número pode ser muito maior.

“Precisamos muito do apoio da população nesta questão, agora é a hora de todos aqueles aplausos recebidos se reverterem em pressão para garantir a testagem e para que os profissionais sigam salvando vidas”, conclui Cláudia.

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