Mulheres sob ataque: basta de machismo e violência, enfermagem na luta por respeito e igualdade

 

Todos os dias e, nesta semana em especial, as mulheres brasileiras estão sob forte ataque. A jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, que estava em seu compromisso de apurar a informação, teve de passar pela constrangedora situação de ouvir do próprio presidente da República falas de cunho sexual e de baixo calão. A adolescente, que voltava para casa em um carro de aplicativo, poderia estar vestindo qualquer roupa, sem ser assediada de forma grosseira. E as mulheres brasileiras violentadas poderiam ter sido poupadas da declaração inadequada do ministro Moro, que afirmou que os homens costumam recorrer à violência por se sentirem intimidados pelas mulheres (fala proferida em evento no ano passado, mas que repercutiu nessa semana também).

Tudo isso faz parecer que retrocedemos décadas na luta pelos direitos da mulher. O direito a atuar profissionalmente em diferentes espaços, o direito de vestir e se comportar como quiser, o próprio direito de existir na sociedade.

O SERGS, como entidade que representa uma categoria majoritariamente feminina, soma-se na luta em defesa das mulheres e se solidariza com todas as companheiras frontalmente atacadas em seus direitos.

Só no Rio Grande do Sul, o número de feminicídios triplicou em janeiro deste ano. Foram 10 mortes de mulheres por questões de gênero no último mês, contra três em janeiro de 2019. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) em fevereiro.

O feminicídio é apenas a ponta do iceberg da violência contra a mulher e representa o desfecho mais extremo do problema. Segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora, mais de 500 mulheres são agredidas. Os números podem ser ainda maiores, já que muitas mulheres não denunciam.

A principal forma de violência é a verbal, seguida da ameaça de violência física.  Em 61% dos casos, o agressor é conhecido da vítima, sendo principalmente companheiros e ex-companheiros.

Vivemos tempos difíceis, mas denunciar é preciso. Segundo a diretora do SERGS, Inara Ruas, as mulheres ainda precisam lutar muito por seu espaço na sociedade e a enfermagem, como profissão que acolhe muitos casos de violência, têm papel fundamental na orientação das mulheres e na denúncia destes casos.

 

O peso das reformas, sob as mulheres

Como se não bastasse a violência imposta pelo machismo de nossa sociedade, as recentes reformas trabalhista e previdenciária também prejudicaram ainda mais as mulheres.

Neste ano, a campanha do Dia Internacional da Mulher (8 de março) da CUT e das entidades sindicais será justamente sobre o peso das reformas sobre as mulheres, gerando desemprego, serviços precários, tripla jornada, baixos salários e menor chance de aposentadoria. A campanha também vai alertar para o feminicídio e todas as demais formas de violência contra a mulher.

Veja o panfleto da campanha do Dia da Mulher: panfleto 8M 2020 (1)

 

 

 

 

 

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