Dirigentes da CNTSS/CUT discutem avanço das transnacionais da saúde em encontro realizado por UNIGLOBAL – Américas

Lideranças de vários Estados se reuniram para discutir projeto entre Confederação e Uniglobal que estabelece estratégias de defesa dos trabalhadores contra os abusos das transnacionais da saúde

Escrito por: Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

Uma nova fase do projeto realizado entre a CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social e a UNIGLOBAL – Américas, sobre o processo de intervenção do capital estrangeiro nas empresas de saúde e as consequências para os trabalhadores, foi realizada nos dias 14 e 15 de março, em São Paulo, e reuniu dirigentes de vários Estados. A UNIGLOBAL – Américas, sindicato global presente em mais de 150 países e que representa mais de 20 milhões de trabalhadores, tem sido parceria da Confederação neste projeto de traçar estratégias contra ação predatória das transnacionais no setor da saúde brasileira.

O primeiro dia do encontro, quinta-feira, 14/03, foi dedicado a reuniões separadas entre os setores envolvidos no projeto. Assim, lideranças da saúde privada, do comércio, da vigilância e de asseio e limpeza puderam dialogar e debater tendo como pano de fundo suas especificidades. Cada setor fez uma análise de conjuntura e avaliou os avanços organizativos realizados neste último ano. Na sexta-feira, 15/03, foi um momento de integração entre os grupos para um debate sobre as agendas políticas do governo e do Congresso Nacional realizada pela deputada federal, Gleisi Hoffman, uma das articuladoras da oposição ao governo. A programação abriu espaço para uma exposição por representantes de cada setor sobre as tarefas desenvolvidas e os desafios imediatos.

Representaram a direção da Confederação nestes dois dias de trabalho, o seu presidente, Sandro Alex de Oliveira Cezar, a vice-presidenta, Isabel Cristina Gonçalves, o secretário de Relações do Trabalho, Ademir Portilho, a secretária de Políticas Sociais, Claudia Ribeiro da Cunha Franco. Também participaram representantes de Sindicatos filiados à CNTSS/CUT dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, respectivamente, Sindsaúde ABC, representado por sua secretária de Comunicação, Débora Cristiano; o SindEnf RJ enviou seu diretor suplente, Marco Antônio Schiavo; e o Sindsaúde Ijuí, que foi representado por seu presidente, José Manoel de Morais Vieira.

O Encontro é resultado dos trabalhos propostos no Plano Regional da UNIGLOBAL. “Estamos iniciando o ano cumprindo uma das tarefas estabelecidas no nosso Plano Regional. Vamos ter acesso às informações sobre as tarefas desenvolvidas em cada setor, quando aproveitaremos a oportunidade para discutir os cenários político e econômico. Um dos nossos objetivos é planejar ações nas diferentes categorias onde estamos trabalhando para contribuir na melhora das condições trabalhistas e levar adiante nosso plano de trabalho para o 2019, com particular atenção nas campanhas de sindicalização,” afirma Márcio Monzane, secretário regional da UNI Américas.

Setor privado da saúde
No caso específico do setor da saúde privada, no primeiro dia foi apresentada uma análise sobre a realidade da intervenção do capital estrangeiro na saúde em toda a América Latina a partir da exposição feita por Alan Sable, assessor do grupo e um dos representantes da UNIGLOBAL, que permitiu uma atualização das avaliações realizadas no encontro do ano passado. Há, segundo Sable, uma ação muito intensa na compra de redes e planos de saúde por toda a América Latina. A constatação de um mercado bastante promissor tem sido a grande chamariz para estas ações. Um alto índice populacional com uma sociedade que tende a crescer o número de idosos tem aguçado o apetite destas corporações. Há um investimento expressivo em novas tecnologias e em marketing para conquistar as classes medias destes países.

O olhar sobre o maior filão de lucro levou a estas empresas a diagnosticarem as enfermidades crônicas – doenças cardíacas, obesidade, câncer, diabetes, demências, entre outras – como a nova tendência para investimentos atuais e futuros. De acordo com estudos, em 2030 o número de mortes por conta destas doenças atingirá 8 em cada 10 idosos da América Latina. Estratégias para incrementar oportunidades para criação de asilos e ampliação das ações de cuidadores domiciliares nos moldes do que acontece hoje nos Estados Unidos e na Europa serão fartamente incentivadas na América Latina nos próximos anos.

Ao mesmo tempo em que os investimentos privados em saúde aumentarão consideravelmente nos próximos períodos, os setores públicos tentarão acompanhar este incremento, mas não será suficiente. Mesmo com a tentativa de reduzir custos, a tendência é que os governos ainda assim terão dificuldade em suprir o aumento das demandas. Os caminhos mais fáceis a serem percorridos pelos governos menos interessados em investir nas estruturas para atendimento dos setores mais vulneráveis da sociedade serão os da privatização, incremento nas parcerias público/privada e o aumento do atendimento domiciliar.

A classe média, por sua vez, buscará opções de atendimento nas redes privadas. Assim, as empresas buscarão atender este público com planos de saúde cada vez mais especializados, com atenção hospitalar, clínicas ambulatoriais, clínicas especializadas em doenças crônicas e, consequentemente, com mais tecnologia. Toda esta realidade coloca desafios ainda maiores aos sindicatos. As empresas se tornarão cada vez maiores em suas áreas de ação, aumentará o trabalho individual – com atenção domiciliar, contratações em condições cada vez mais precarizadas, baixos salários e o aumento do número de trabalhadores não sindicalizados.

Criando caminhos organizativos
Tendo como referência estes desafios, os participantes puderam aprofundar as discussões sobre os encaminhamentos que foram aprovados no encontro de setembro último e avaliar os passos que foram consolidados até aqui. Ficou determinado, naquele momento, o foco sobre as inserções das empresas UnitedHealth Group (Amil), Grupo Fresenius, Grupo NotreDame Intermédica e Rede D’Or São Luiz. Estabeleceu-se, também naquele momento, um plano de trabalho para os sindicatos da saúde privada priorizando três eixos: a formatação de uma coordenação nacional, o fortalecimento das bases e a criação de um processo de negociação nacional.

O estabelecimento de uma coordenação nacional tem ajudado a implementar as medidas acordadas no encontro anterior. Este período foi importante para a consolidação das redes criadas a partir das ferramentas sociais da internet com os setores dos trabalhadores que estão vinculados às mesmas transnacionais. Além das peculiaridades existentes nos processos de lutas e mobilizações, torna-se possível interagir para formação e consolidação de Planos de Trabalhos. A formação de delegados e a ampliação da comunicação com as bases sobre as redes formadas foram ferramentas importantes de integração. A confecção de jornal contendo as principais demandas e denúncias do setor de saúde foi visto com bastante entusiasmo pelos dirigentes. Há ainda o desafio permanente de campanhas de sindicalização.

Também se estabeleceu a prioridade de criação de um processo de unificação das lutas a serem estabelecidas nos CCTs – Contratos Coletivos de Trabalho. A proposta tem sido a de identificar itens que se identifiquem nas Convenções e Acordos, determinar pautas comuns e negociadores. Reuniões com lideranças sindicais que representam os trabalhadores da Amil e Intermédica para avaliar as lutas e pensar propostas em comum foram realizadas neste período já em decorrência do processo de organização de uma coordenação nacional. Outro ponto destacado é que o próprio encontro de agora é resultado do planejamento estabelecido e que vem sendo cumprido.

Foi mencionada a importância de manter as iniciativas de organização estabelecidas entre os setores presentes ao encontro. Há a perspectiva de realização de reunião com as lideranças sindicais dos trabalhadores da Unimed ainda para este semestre nos moldes das realizadas com a Amil e Intermédica. Ficou estabelecido que até o final de março os dirigentes sindicais vão definir se já é possível agendar uma reunião de negociação com os representantes destas duas empresas, assim como trabalhar o boletim com as respectivas bases de trabalhadores. Um projeto sobre sindicalização terá início com a realização de um workshop sobre este tema proposto para acontecer entre maio a agosto.

José Carlos Araújo
Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

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