SERGS denuncia a grave situação do HPS na Câmara de Porto Alegre

Na noite da quinta-feira, 23/08, mais de 200 pessoas reuniram-se na Câmara Municipal de Porto Alegre denunciando a grave situação que o Hospital de Pronto Socorro (HPS) enfrenta. Promovida pelo Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) e ASHPS Associação dos Servidores do Hospital de Pronto Socorro), a audiência pública “Análise Situacional do Hospital de Pronto Socorro (HPS)” visou a discussão sobre o sucateamento do HPS e a cobrança de soluções dos órgãos responsáveis.
 
O HPS ainda é tido como referência no atendimento de urgência e emergência de traumas na capital e região metropolitana. Segundo relatório de gestão da SMS, o hospital presta 300 mil atendimentos e cinco mil internações ao ano. No entanto, por opção do governo municipal, vem sendo precarizado e está com atendimento reduzido por falta de pessoal. Faltam 232 enfermeiros e técnicos de enfermagem, além da falta de médicos e profissionais de todas as áreas, o que ocasiona o fechamento de serviços, jornadas de trabalho exaustivas para os trabalhadores(as) e poucos atendentes para o número de pacientes. As atuais condições são um sério risco à vida da população. A denúncia, encaminhada ao MPE/RS, também apontou para falta de infraestrutura, equipamentos estragados, péssimas condições sanitárias, vazamentos e infiltrações.
 
O presidente do SERGS, Estêvão Finger, disse: “nós temos o posicionamento de que o HPS deve ter investimento de recursos públicos para manter o serviço público de qualidade aos portoalegrenses e àqueles que o acessam. Não aceitaremos nenhuma tentativa de privatização, ou terceirização desse importante serviço”, frisou.
 
Para o presidente do SERGS, quando o prefeito e o secretário de saúde não dialogam com os trabalhadores(as), estão virando as costas para a população de Porto Alegre. “Se eles quisessem valorizar os(as) servidores(as) públicos, eles não colocariam esses projetos nefastos aqui na Câmara. Pelo contrário, iriam reajustar os salários de todo o funcionalismo municipal”, afirmou Estêvão.
 
Dados do DIEESE comprovam que 80% dos reajustamentos salariais de 2018 foram acima da inflação. E aqui, o Marchezan não repôs nem a inflação dos últimos três anos, fora todas as perdas. Estêvão complementa: “nós temos o compromisso de salvar o HPS! O SERGS visitou o hospital no ano passado, pautamos isso no CMS, na ocasião. A gestão tinha um prazo de 30 dias para apresentar uma proposta de solução para tudo que foi apresentado: goteiras, cupins, macas apertadas sem espaço digno para os usuários do SUS serem atendidos, número inadequado de profissionais. Porém, não o fez. A população de PoA está em risco por descompromentimento da atual gestão municipal”, denunciou o presidente do SERGS.
 
Para a presidenta da ASHPS, Isabel Santana, o hospital que atende pacientes graves, vítimas de acidentes e ferimentos, está vivendo uma situação crítica. “É um hospital referência em trauma, que é a primeira causa de morte na idade entre um e 49 anos. Nós estamos ali com a missão de salvar vidas. Mas enfrentamos superlotação da nossa emergência em função da falta de recursos humanos e material. Não temos macas, nem monitores e ventiladores suficientes para atender uma demanda assim”, protestou a presidenta da ASHPS.
 
O gestor da Saúde, Erno Harzeim, comprometeu-se com a aquisição de equipamentos e de qualificar a infraestrutura de trabalho, apresentando uma planilha com os investimentos que serão aplicados no local. Já em relação ao quadro de recursos humanos, o secretário apresentou medidas paliativas e de terceirização do serviço, como a contratação de leitos e o repasse dos atendimentos e internações para outros hospitais. “Não é possível resolver esta carga de problemas estruturais e de recursos humanos num prazo curto de tempo, muito menos se há uma crise econômica bastante marcada no município”, disse.
 
Participaram também do debate, a promotora de Justiça e Defesa dos Direitos Humanos, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS), Liliane Pastoriz; o representante do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RS), João Carlos da Silva e o diretor-geral do HPS, Amarílio Vieira de Macedo.
 
Ao final da audiência, a coordenadora do CMS/POA, Maria Letícia de Oliveira Garcia, solicitou à representante do MPE/RS que incluísse no processo aberto pelo órgão, o dimensionamento de pessoal de toda a secretaria, principalmente do HPS, além das obras previstas e seus investimentos. “Nós já fizemos diversos encaminhamentos a esse respeito. É importante que a secretaria encaminhe ao Conselho o dimensionamento de recursos humanos, especialmente do HPS. Precisamos ter conhecimento de que maneira as obras vão ser elaboradas e os recursos utilizados”, concluiu.

 
Texto: Juliana Leal e Katia Camargo
Foto: Assessoria do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre

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