ZH: Servidores municipais e funcionários da área de saúde básica de Porto Alegre anunciaram, nesta segunda (30), que entrarão em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (31) 

Pela primeira vez na história, os trabalhadores ligados ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre e ao Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), fazem greve juntos. Segundo os servidores, os motivos da greve são a ameaça de retirada de uma gratificação que representa 10% dos vencimentos dos funcionários na área da saúde, a falta de reajuste e a volta do parcelamento de salários do municipários.

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul, Estêvão Finger, diz que não será negado atendimento a quem comparecer às unidades básicas e postos de saúde, mas alerta que elas podem operar só com o mínimo do efetivo previsto em lei, de 30%.

— A nossa orientação é que população não procure esses serviços nos próximos dias, porque pode haver uma demora maior do que o normal. Quando o prefeito faz a opção de não dialogar com os trabalhadores, faz a opção de não dialogar com a sociedade. Esse caos tem nome e sobrenome: Nelson Marchezan Júnior — disse Finger em coletiva de imprensa na sede do Simpa.

Além dos serviços de saúde, a área da educação pode sofrer impacto direto da paralisação. Caso a greve seja mantida, as escolas municipais, que estão em recesso até sexta-feira, podem não retomar as aulas na semana que vem. Segundo o Simpa e os trabalhadores ligados ao Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), o total de profissionais das duas áreas no município é de cerca de 20 mil funcionários.

Manifestações na prefeitura e na Câmara

Uma manifestação está marcada para a manhã desta terça-feira. A partir das 8h30min, grevistas devem se reunir em frente à Secretaria Municipal e Saúde, na Avenida João Pessoa, para uma caminhada até o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Em seguida, vão ao Paço Municipal, onde, às 14h, pedirão para negociar com o prefeito. Às 16h, ocorrerá um protesto no local.

— O prefeito não se reuniu conosco, e proibiu os secretários de se reunirem. Os servidores devem ser parte da solução, e não o problema. Ele não dialoga com a cidade, com os servidores e com o parlamento, e isso tem acarretado problemas para Porto Alegre. Não é uma mobilização para defender nossos salários, é para defender a cidade — disse o diretor-geral do Simpa, Alberto Terres.

Os projetos de lei do Executivo que ainda aguardam por votação também são alvo dos grevistas — um deles prevê a criação da previdência complementar para os servidores municipais. Na quarta-feira (1º), a partir das 9h, os trabalhadores se encontram em frente ao Centro de Saúde Modelo para uma marcha até a Câmara Municipal, onde serão retomadas as atividades dos vereadores após o recesso. A ideia é acompanhar a sessão cuja pauta será definida em reunião de líderes, e que poderá apreciar a proposta da previdência complementar. Na quinta-feira, ocorrerá uma assembleia para discutir os rumos da greve.

Para por fim à paralisação, os trabalhadores exigem a abertura de uma mesa de negociação com o prefeito. Enquanto os servidores municipais exigem o fim do parcelamento de salários, a reposição da inflação e a retirada do projeto que cria a previdência complementar da pauta dos vereadores, os profissionais da área da saúde querem um reajuste que, segundo a categoria, não é feito há quase três anos, e a garantia de que a gratificação ameaçada não será extinta.

O que diz a prefeitura

“A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão, informa que ocorreram reuniões entre o Executivo Municipal e o Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre). No dia 2 de julho, por exemplo, a SMPG recebeu os sindicalistas na sede da Secretaria mesmo sem agendamento prévio. No entanto, os sindicalistas foram atendidos. Além disso, as próximas reuniões, por determinação do prefeito, devem ser encaminhadas para o Gabinete da Prefeitura, reforçando que o Executivo está sempre aberto para o diálogo com o servidor.”

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